Ao deitar-me nessa réstia de verão,
minhas mãos descansam em meu púbis,
quietas. O colchão sabe melhor que ninguém:
Cecília Munõz sobre mim.
Vestida de pensamentos efervescentes,
ela se humaniza no passo a passo da espera,
à medida exata de caber-me.
Sou a iminência do atiçar fogo,
a paz conquistada no disparo do verbo.
Desdigo-me da mea culpa.
Estou liberta em ventanias plenas.
sábado
sexta-feira
o rio da minha aldeia
Ontem eu era todas as palavras não ditas.
Agora sou esta varanda imensa.
De minhas janelas vê-se o rio,
poderia ser o Tejo mas é o Upaperi.
Meus parapeitos ornados de confiança e imburana,
me dão ares de anfitriã e eu saboreio isso.
Gosto do papel de guiar os que chegam,
desdobrar os tapetes, acolchoar os descansos,
e ser a noite inteira regozijo.
Dizem que sou a seresta das noites do sertão
e eu que nada modesta, concordo...
Agora sou esta varanda imensa.
De minhas janelas vê-se o rio,
poderia ser o Tejo mas é o Upaperi.
Meus parapeitos ornados de confiança e imburana,
me dão ares de anfitriã e eu saboreio isso.
Gosto do papel de guiar os que chegam,
desdobrar os tapetes, acolchoar os descansos,
e ser a noite inteira regozijo.
Dizem que sou a seresta das noites do sertão
e eu que nada modesta, concordo...
Nuamente Cecília Munõz
Para saber de tardes em outros lençóis
imaginava-se nuamente Cecília Munõz.
Não era de pensar nuvens ou sobrevoar estrelas.
Era uma mulher-remanso para além do sol poente.
Imaginava-se mão e útero, serpente e abrigo,
matéria e espera, terreiro de orixás.
E mesmo em dias que não havia calor
seus poros eliminavam magma.
Seus seios, olhos a fitar as ruas.
Seus olhos, faróis em alto mar.
Aquela mulher era o chão de Estella.
imaginava-se nuamente Cecília Munõz.
Não era de pensar nuvens ou sobrevoar estrelas.
Era uma mulher-remanso para além do sol poente.
Imaginava-se mão e útero, serpente e abrigo,
matéria e espera, terreiro de orixás.
E mesmo em dias que não havia calor
seus poros eliminavam magma.
Seus seios, olhos a fitar as ruas.
Seus olhos, faróis em alto mar.
Aquela mulher era o chão de Estella.
água-pé
quinta-feira
medite sobre majestade
Ser mulher é assim:
colher navios de um índigo-blue
onde nem sequer há cais.
Outrossim é saber de véspera
o amanhecido imaginado nunca visto.
Mulher é saber correr risco
no amor que ama no dentro do peito.
Ela tem jeito de alvorecer e tempestade,
e mais ainda, que cabe e pode caber
quando é e deve ser.
Mulher é não conter a chama acesa,
faiscar palavras e ganhar o jogo.
O tabuleiro é ela com ela mesma.
É mais que arte ser mulher.
colher navios de um índigo-blue
onde nem sequer há cais.
Outrossim é saber de véspera
o amanhecido imaginado nunca visto.
Mulher é saber correr risco
no amor que ama no dentro do peito.
Ela tem jeito de alvorecer e tempestade,
e mais ainda, que cabe e pode caber
quando é e deve ser.
Mulher é não conter a chama acesa,
faiscar palavras e ganhar o jogo.
O tabuleiro é ela com ela mesma.
É mais que arte ser mulher.
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8 de março,
dia internacional da mulher,
mulher
fruto proibido
Amanheci maçã saborosa.
E tu com a fome dos famintos-
teu apetite-cão,
veio devorar-me a carne.
Transformei-me em serelepe
e corri léguas
até alcançar os campos do sul.
Esticaste a mão
e puxou-me as orelhas.
Olhei de esguelha.
Mais que depressa
borboleteei
e esvoacei por entre os dedos teus.
Então jogaste a rede
e pegou-me novamente.
Encantou-me com palavras mágicas:
Pater ejus est Sol!
Criou a mulher que serei.
E tu com a fome dos famintos-
teu apetite-cão,
veio devorar-me a carne.
Transformei-me em serelepe
e corri léguas
até alcançar os campos do sul.
Esticaste a mão
e puxou-me as orelhas.
Olhei de esguelha.
Mais que depressa
borboleteei
e esvoacei por entre os dedos teus.
Então jogaste a rede
e pegou-me novamente.
Encantou-me com palavras mágicas:
Pater ejus est Sol!
Criou a mulher que serei.
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