sábado

amor inevitável amor

De não haver figura que se estampe às letras:
resta-me apenas o flerte com a imaginação.
Silvo poema, banho-me nêsperas.
Não há quem se aquiete nas tempestades do tempo.
Despir-me de toda gente
é renascer destino rédeas.
Alongar tentáculos e extravasar o poema contido.
A língua é aquela que fala
a mão que acaricia
o outro que invade a casa
e já sei de outroras o imemorável.
O amor é tudo aquilo que posso.
Sei que posso mais...

quarta-feira

mar de sangue

Para singrar o mar parece grande
Para sangrar, ele é pequeno...

domingo

cidade vazia

Eis que caio em mim: cidade vazia.
Vazia e sem temporais.
O banco de praça vazio,
poste, casas, lua,
vida na cidade, tudo:
sou eu mesma.
Daqui até lá,
horizonte e vastidão.
Cidade em nome do amor.
Parece que sou espera...

a insônia

Rios me rasgam sóis.
grutas gritam-me: goza!
aguardo o trotar do trovador
nas vastas planíceis - o interim da rosa.
O tempo é o descompasso do amor,
O amor: afago ardente na alma.
Quem dorme com o corpo a uivar?
Como calar a voz da carne?
Abasteça-me com tua ânisa ávida!
Sou feita de pedra vulcânica,
tua escultura cálida.